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Intervenção estatal maciça, estabilização das condições financeiras e retomada do crescimento econômico no curto prazo |
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Os fortes estímulos monetários, fiscais e de crédito implementados em diversos países desde meados de 2008, sobretudo a partir da intensificação da crise de crédito após a falência da Lehman Brothers, conseguiram estabilizar a atividade global e iniciar um processo de recuperação econômica. Essas medidas contribuíram para uma redução dos riscos sistêmicos, especialmente do risco percebido pelo mercado em relação à sustentabilidade dos balanços do sistema financeiro. Como podemos observar no gráfico 1 abaixo, a medida de credit default swaps (CDS) dos bancos recuou de 350 pontos em mar/09 para cerca de 100 pontos em out/09.
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| Gráfico 1 |
CDS Bancos * |
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Fonte: Bloomberg, Banco BBM / Data: 28/10/2009
* Média de 9 bancos norte-americanos e europeus. |
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Houve uma interrupção do processo de destruição de riqueza, sobretudo nos países desenvolvidos. O preço dos imóveis se estabilizou nos EUA, após uma queda ininterrupta desde 2006: como podemos observar no gráfico 2 abaixo, diversos índices de preços confirmam essa tendência. Por sua vez, os mercados acionários globais também se recuperaram, com destaque para as bolsas de países emergentes. O valor de mercado das empresas listadas em bolsa, que chegou a recuar US$ 35 trilhões no auge da crise, já recuperou US$ 18 trilhões em 2009. A interrupção da destruição de riqueza é uma condição necessária para a estabilização do consumo, uma vez que ele tende a reagir não só à disponibilidade de renda corrente, mas também ao estoque de riqueza das famílias. |
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| Gráfico 2 |
| Índices de preços de Imóveis - EUA (base = 100 em dez/06) |
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| Fonte: Bloomberg, Banco BBM / Data: 09/2009, usados, e 08/2009 os demais |
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| Gráfico 3 |
Valor de mercado das empresas listadas nas bolsas globais
(US$ trilhões) |
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| Fonte: Bloomberg, Banco BBM / Data: 29/10/2009 |
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A própria redução dos riscos sistêmicos, e a consequente melhora das condições financeiras, acabou por reforçar a recuperação da atividade econômica, o que vem sendo confirmado por algumas divulgações econômicas recentes. As pesquisas de sentimento da indústria (PMI´s), por exemplo, mostram uma recuperação sincronizada entre diversos países, como podemos observar no gráfico 4. Há também evidências de que a queda na demanda agregada, apesar de significativa, foi inferior à contração da oferta global. Dessa forma, o próprio avanço do ciclo de estoques permitirá uma retomada mais clara da atividade manufatureira, na medida em que a oferta agregada retome o patamar de equilíbrio em relação à demanda.
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| Gráfico 4 |
| Índice PMI (Purchasing Managers Index) da atividade industrial |
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| Fonte: Bloomberg, Banco BBM / Data: 09/2009 |
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Nos EUA o PIB voltou a crescer no 3T09 após 4 trimestres consecutivos de contração, apresentando um avanço de 3,5% ante o trimestre anterior em termos anualizados. O estímulo para a compra de veículos teve efeito significativo sobre o consumo, que avançou 3,4% no período. Outro componente da demanda agregada que teve desempenho favorável foi o investimento residencial, que avançou 23,3% no 3T09, a primeira expansão desde 2005.
O crescimento na Ásia, por sua vez, vem acelerando desde o 2T09. Os estímulos monetários na China contribuíram para esse movimento, tanto em função de seus efeitos diretos sobre o ritmo de crescimento da economia chinesa, quanto dos efeitos indiretos sobre as demais economias da região. Apesar dos sinais de moderação da expansão do crédito, que chegou a apresentar taxas de crescimento anuais próximas de 30% em 2009 (ver gráfico 5 abaixo), as condições de liquidez permanecem elevadas, o que deverá contribuir para a manutenção do ritmo de crescimento anual do PIB chinês acima de 9% nos próximos trimestres. |
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| Gráfico 5 |
| Estoque de crédito como porcentagem do PIB - China |
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Fonte: Bloomberg, Banco BBM / Data: 09/2009 |
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O dinamismo apresentado pelos países asiáticos também é observado em outros países emergentes, nos quais é possível observar uma retomada da atividade econômica. Esse processo está sendo em grande parte liderado pela demanda doméstica, que reagiu rapidamente aos estímulos fiscais e monetários praticados no período. De maneira geral, quanto maior a relevância do mercado doméstico, ou de maneira análoga, quanto menor o grau de abertura, melhor tem sido o desempenho econômico no período pós-crise. Adicionalmente, muitos desses países tiveram, ao contrário de crises econômicas anteriores, espaço para adotar políticas anticíclicas, tanto no campo fiscal quanto no monetário.
De qualquer forma, observamos nos últimos meses sinais claros de que a economia global voltou a crescer, com os países emergentes apresentando uma retomada mais acelerada e os países avançados apresentando uma recuperação mais moderada.
No que tange ao cenário inflacionário, a elevada capacidade ociosa observada na indústria global deverá manter a inflação de bens tradables bem comportada. Como podemos observar no gráfico 6 abaixo, a utilização da capacidade instalada nos EUA, apesar de ter apresentado pequena recuperação na margem, está hoje no menor nível da série histórica iniciada em 1949. Adicionalmente, a deterioração das condições do mercado de trabalho, sobretudo nos países desenvolvidos, ainda não atingiu um ponto de inflexão, o que deverá contribuir para uma desaceleração da inflação de bens non-tradables. |
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| Gráfico 6 |
| Utilização da capacidade instalada, indústria manufatureira - EUA (%) |
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| Fonte: Ecowin, Banco BBM /Data: 09/2009 |
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Dessa forma, observamos atualmente um ambiente inflacionário ainda benigno, ao menos no curto prazo, permitindo que a política monetária continue a adotar uma postura acomodativa. Acreditamos que o nível de ociosidade dos fatores de produção e as incertezas quanto à sustentabilidade do crescimento deverão fazer com que os bancos centrais mantenham os estímulos monetários. Nesse sentido, é perceptível a preocupação dos governos com os potenciais efeitos de uma remoção prematura dos estímulos fiscais e monetários sobre a recuperação ainda incipiente da atividade econômica. |
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A recuperação econômica é sustentável? Deterioração fiscal, fragilidade do mercado de trabalho e permanência de desequilíbrios globais como riscos de médio prazo |
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Apesar dos sinais de recuperação da economia global, ainda há dúvidas importantes com relação à sustentabilidade do crescimento no médio prazo, uma vez que no curto prazo, ele está fortemente ancorado nos estímulos governamentais sem precedentes, tanto no campo fiscal quanto no monetário. Vale lembrar que as autoridades monetárias de diversos países, além de praticar taxas de juros próximas de zero, também implementaram uma expansão de seus balanços, no que se convencionou chamar de quantitative easing, fornecendo provisão de liquidez e intervindo em mercados específicos.
Contudo, a forte deterioração fiscal, principalmente nos países desenvolvidos, é claramente insustentável no longo-prazo: nos EUA, algumas projeções indicaram um nível de endividamento próximo daqueles atingidos no pós-guerra (ver gráfico 7 abaixo). Alguma forma de ajuste deverá ocorrer, quer seja através de uma forte diminuição dos déficits fiscais (ou mesmo a obtenção de superávits), de juros mais altos, de taxas de inflação mais elevadas ou até mesmo de uma combinação desses elementos. Na inexistência de ajuste voluntário, não se pode descartar a possibilidade de que os mercados passem a exigir prêmios de risco cada vez maiores para financiar governos em frágil posição fiscal, mesmo os EUA. Esse movimento acabaria aumentando as taxas de juros longas e prejudicando o crescimento econômico. |
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| Gráfico 7 |
| Razão dívida / PIB - EUA (%)- cenário base vs.estimativas com implementação de propostas de Obama |
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| Fonte: Ecowin, CBO, Banco BBM / Data:2008 (Realizado) e 2009 – 2019 (Projetado) |
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O mercado de trabalho dos EUA continua a apresentar deterioração, mantendo assim, elevados os riscos para o crescimento, principalmente para o consumo das famílias. Há incerteza sobre quando e em que velocidade ocorrerá uma recuperação do emprego, uma vez que mesmo as projeções mais otimistas de crescimento para a economia americana ainda se situam abaixo do potencial. Além disso, o elevado patamar da taxa de desemprego, atualmente próximo de 10%, poderá causar perda de qualificação dos trabalhadores, reduzindo dessa forma, o crescimento potencial da economia no médio prazo.
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Adicionalmente, os elevados déficits fiscais e em transações correntes nos EUA (déficits gêmeos) exigirão uma realocação de recursos do setor de non-tradables para o setor de tradables. Essas mudanças exigem alterações substanciais nos preços relativos da economia, o que, mesmo em um ambiente de maior flexibilidade dos fatores de produção como nos EUA, pode levar tempo, dificultando a recuperação. O movimento de preços relativos que se faz necessário para ajustar esses déficits exige que o dólar se deprecie. Do ponto de vista dos EUA, o enfraquecimento do dólar é percebido como fundamental para reequilibrar a economia, ao impulsionar a atividade econômica através do aumento das exportações líquidas. Contudo, a contrapartida desse enfraquecimento é a forte apreciação de algumas moedas, sobretudo de países que atualmente combinem crescimento acima da média mundial com um sólido sistema financeiro. |
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| Gráfico 8 |
| Câmbio real, dólar cotado a uma cesta de moedas |
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Fonte: Ecowin, Banco BBM / Data: 10/2009 |
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Um dos desafios para os países emergentes de maior dinamismo será como lidar com o recente influxo de capitais e a consequente e necessária apreciação de suas moedas. Nesse ambiente, voltam à discussão medidas de controles de capitais - como a recente adoção pelo Brasil do IOF sobre os investimentos estrangeiros em carteira- reconhecidamente ineficazes no médio prazo, especialmente quando adotadas de forma unilateral. Movimentos nessa direção e, principalmente, a insistência chinesa e de outras economias asiáticas em manter o câmbio controlado e atrelado ao dólar, podem promover ajustes desordenados de balanço de pagamentos e das moedas. De qualquer forma, a postergação da correção desses desequilíbrios externos também configura um risco para a recuperação sustentável da economia global. |
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| Gráfico 9 |
Desequilíbrios Globais: saldos individuais em
conta corrente / PIB global (%) |
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| Fonte: WEO, FMI (04/2009) |
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No mercado de moedas, nossa visão sobre os fluxos de capital direcionados ao Brasil em 2009 e 2010 permanece favorável, sobretudo em relação aos investimentos diretos e em carteira. A taxação do IOF deverá ter pouco impacto sobre os fluxos em carteira no médio prazo, tendo em vista a recuperação econômica mais rápida do Brasil e o ambiente externo de redução da aversão ao risco e ampla liquidez. Medidas de controle de capital são sabidamente pouco eficazes para conter apreciações cambiais.
Contudo, a aceleração recente no crescimento das importações em um cenário de crescimento robusto, que deve continuar em 2010, diminuirá sensivelmente o saldo comercial ao longo dos próximos meses. Em função desta maior necessidade de financiamento, de uma elevação da volatilidade nas últimas semanas de outubro e aproveitando-se de movimentos de mercado, optamos por reduzir nossa posição comprada em real e vendida no dólar americano no final do mês.
O cenário de retomada mais acelerada da atividade econômica continuou sendo corroborado pelas divulgações econômicas em outubro, com destaque para o comportamento do mercado de trabalho, com expressiva criação de vagas com carteira assinada. O cenário de inflação, por sua vez, permanece benigno, ao menos no curto prazo. Em relação às posições em juros: (i) mantivemos uma alocação vendida na taxa de juros real de curto prazo e (ii) em função de movimentos de mercado, optamos por reduzir a posição comprada na taxa nominal de juros em prazos intermediários.
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Nossa visão acerca dos fundamentos positivos da economia brasileira permanece inalterada, com as perspectivas de crescimento em 2010 permanecendo extremamente favoráveis. Entretanto, a persistência de dúvidas importantes acerca da sustentabilidade da atual recuperação econômica, principalmente nos EUA, elevou a volatilidade dos mercados ao longo do mês de outubro. Na nossa visão, esse movimento mais acentuado na bolsa brasileira ocorreu em função da: (i) taxação de IOF sobre o capital estrangeiro e (ii) valorização recente dos ativos – de fato, nossa análise fundamentalista indica um menor potencial de alta para o preço de diversas empresas.
Mesmo uma temporada de balanço das empresas melhor do que a esperada nos EUA não foi suficiente para diminuir a volatilidade nos mercados. Nesse ambiente, optamos por aumentar a exposição a empresas de maior liquidez em todos os fundos de renda variável.
Nossas posições mantiveram-se concentradas em empresas voltadas para o consumo interno, com destaque para posições específicas nos setores imobiliário, de utilities e de saúde. O cenário de depreciação do dólar e elevada liquidez nos mercados afetou positivamente os preços de algumas commodities, com impactos positivos sobre o lucro esperado das empresas produtoras. Nesse cenário, reduzimos a posição underweight em commodities, mantendo, porém, uma visão ainda pessimista sobre o setor de aço.
Individualmente, os ganhos no mês de setembro do fundo BBM Valuation vieram de posições overweight dos setores imobiliário e de saúde . Apostas específicas no setor de consumo básico também contribuíram para o resultado. Ao longo do mês o fundo teve em média em sua carteira um total de 49 ações, distribuídas em 8 setores. O retorno no mês foi de 0,44% contra 0,05% do Ibovespa. Nos últimos 12 meses o fundo obteve um ganho 55,84 pontos percentuais acima do índice.
No fundo BBM EH 30, em função do cenário de maior incerteza, evitamos posições direcionais expressivas. Os maiores ganhos no mês vieram de spreads intrasetoriais nos setores imobiliário, indústria, transporte e financeiro. Posições compradas nos setores de utilities, petróleo e indústria também contribuíram para os ganhos no período. Ao longo do mês o fundo manteve em sua carteira uma média semanal de 89 ações, distribuídas ao longo de 10 setores. O ganho no mês foi de 1,17%, ante 0,69% do CDI. Nos últimos 12 meses o fundo acumulou um rendimento de 27,19%, ou 255% do CDI.
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O fundo BBM Allocation apresentou um retorno de 0,76% em outubro, equivalente a 110% do CDI, resultando em uma valorização no ano de 16,97% ou 202% do CDI. O destaque da performance veio das classes de fundos macro e de renda variável.
O portfolio foi alterado com a inclusão de um novo fundo na classe de renda variável gerando um rebalanceamento nessa classe. Com isto, a carteira encerrou o mês composta por 10 fundos Macro (79,06%), 2 fundos Long Short (8,89%), 4 fundos de Renda Variável (8,98%) e 1 fundo Referenciado DI (3,05%).
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