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Os sinais recentes de estabilização do consumo das famílias americanas são importantes, na medida em que afastam o cenário de depressão econômica. Entretanto, as divulgações de crescimento do PIB, produção industrial e mercado de trabalho em diversos países têm confirmado que a pior recessão global do pós-guerra segue em curso, o que mantém o cenário internacional muito incerto.

No que diz respeito à situação financeira, o restabelecimento do fluxo de crédito é uma condição necessária para uma retomada sustentável do crescimento. Nesse sentido, o plano do Tesouro americano para a criação de fundos público-privados pode ser o primeiro passo na direção de uma solução para aliviar os balanços dos bancos e permitir novas concessões de crédito.

Ainda é cedo para se afirmar, porém, se esse plano será bem-sucedido, já que depende da participação do setor privado. Os incentivos oferecidos pelo governo, por sua vez, podem não ser suficientes para aumentar o valor dos ativos tóxicos, afetados não só pela ausência de liquidez, mas também por uma deterioração significativa de seus fundamentos. Finalmente, a superação da atual fase aguda da crise não interromperá o processo de desalavancagem das famílias e do sistema financeiro, que demandará tempo e implicará mudanças no atual padrão de poupança e consumo da economia mundial.

 
 
 
 
 

Os dados referentes à atividade econômica divulgados em março indicam que a indústria brasileira passa por um processo de ajuste intenso. Uma parcela importante deste movimento visa adequar os níveis de estoque nas diversas etapas da cadeia produtiva: (1) ao menor nível de vendas finais e (2) às condições mais adversas de crédito, que elevaram sensivelmente os custos de capital de giro das empresas.

O crescimento da produção industrial nos meses de janeiro e fevereiro foi muito aquém do esperado. O aumento mensal de 1,8% em fev/09, após o crescimento de 2,3% na comparação entre jan/09 e dez/08 (na série com ajuste sazonal), não foi suficiente para compensar as fortes quedas do 4º trimestre de 2008. Desta forma, a produção no primeiro bimestre de 2009 permanece em um patamar 14,4% abaixo do mesmo período de 2008.

No que tange a demanda agregada, projetamos um comportamento bem distinto para cada um de seus componentes, conforme destacamos abaixo:

   
O investimento deverá retrair-se acentuadamente em 2009, em função da deterioração das expectativas dos empresários e das restrições de crédito às empresas. Após avançar ao ritmo anual de 13,5% por dois anos consecutivos, projetamos uma queda de 10% dos investimentos este ano.

Em linha com este cenário, a absorção de bens de capital (proxy para o investimento em máquinas) caiu 9,8% em fev/09 na comparação com o mês anterior e 15,7% em relação a fev/08 (dados com ajuste sazonal). As condições de crédito para pessoas jurídicas, por sua vez, deterioraram-se novamente em fevereiro, com o saldo recuando para 12,8% do PIB (12,9% em jan/09). A inadimplência total (percentual da carteira de crédito com atraso superior a 15 dias úteis) subiu para 4,8 % (4,3% em jan/09).
 
O setor externo tende a contribuir negativamente para o crescimento, como conseqüência direta da queda no preço das commodities e da retração da atividade e comércio mundiais. Projetamos uma queda de 7,9% das exportações em termos reais para 2009 – depois de atingir US$196 bi em 2008, as exportações devem ficar em US$ 153 bi este ano.
   
Projetamos um crescimento do consumo privado de 0,5% em 2009. Apesar de representar uma desaceleração significativa quando comparado ao crescimento anual de 6,3% em 2007 e 5,4% em 2008, o consumo das famílias deverá ficar acima do crescimento médio do PIB este ano.

Corroborando este cenário, as vendas no varejo cresceram 4,3% em jan/09 na comparação com o mesmo mês do ano anterior (série com ajuste sazonal). Por outro lado, as condições do mercado de trabalho continuam negativas: o recuo da taxa de desemprego (IBGE) de 8,5% em jan/09 para 8,2% em fev/09 (dado com ajuste sazonal) não representa uma inversão de tendência, pois ocorreu em função de uma queda atípica da população economicamente ativa, o que deve se reverter ao longo dos próximos meses. Projetamos que a taxa de desemprego atingirá 10% no segundo semestre, com seus efeitos sobre o consumo ocorrendo de forma defasada.

Em contraste com os dados de crédito para pessoa jurídica, parece haver alguma estabilização das condições de crédito para pessoa física. O saldo permaneceu em 13,4% do PIB em fev/09, a inadimplência (medida a partir do percentual do crédito com atraso superior a 15 dias) se estabilizou em 15,4%, após atingir 15,3% em jan/09, e as taxas e os spreads têm se reduzido.
 
O Consumo do governo deverá aumentar 3% em 2009, em linha com uma redução do superávit primário do setor público consolidado para próximo a 2% do PIB. Contudo, a substantiva queda de 17% na arrecadação do governo federal em fev/09, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, sinaliza que o risco de uma contração da arrecadação maior do que a contemplada em nosso cenário base permanece elevado.
 

Analisando em conjunto o nosso cenário de ajuste da oferta agregada, redução de estoques e as hipóteses sobre os componentes de demanda, projetamos uma queda do PIB da ordem de 1,3% em 2009. Dessa forma, julgamos que a redução acelerada da pressão nos mercados de fatores configura um cenário benigno para a inflação em 2009.

No médio prazo, contudo, a queda do investimento, e a redução do crescimento da produtividade a ela associada, trará conseqüências negativas sobre o crescimento do produto potencial da economia brasileira.
 
 
 
 
 

O cenário benigno para a inflação levou o BC a reduzir de forma consistente a taxa Selic. Acreditamos que, mesmo considerando-se a queda de 2,5 pontos percentuais no primeiro trimestre deste ano, ainda existe espaço para flexibilização adicional da política monetária.

Sendo assim, optamos por aumentar nossas posições vendidas na taxa de juros. Ao longo do mês, a estratégia de composição da carteira entre taxas nominais pré-fixadas e títulos indexados à inflação, ou seja, o tamanho de nossa posição vendida em taxa nominal ou real de juros, ajusta-se ao nível de inflação esperada implicitamente pelo mercado na precificação dos papéis.

Nossas projeções para Balanço de Pagamentos apontam para uma redução do déficit em transações correntes para 1,1% do PIB em 2009, com forte contração das importações e recuo substancial das remessas de lucros e dividendos. Contudo,  diante da aversão ao risco ainda elevada e da incerteza sobre o fluxo de capitais no mundo, resolvemos permanecer neutros em nossas posições direcionais de Real e Dólar.

O cenário econômico ainda é de volatilidade e incerteza elevadas, o que recomenda uma utilização parcimoniosa dos limites de risco de nossos fundos, de modo que os gestores estejam preparados para tirar proveito de eventuais oportunidades no futuro.

 
 
 
 
 

O fundo BBM Valuation continuou focado em papéis de empresas cujo desempenho é mais correlacionado com a atividade econômica doméstica, em detrimento de setores produtores de commodities e bens comercializáveis, cujos fundamentos estão mais relacionados a uma recuperação sustentada da atividade econômica global.

O fundo estabeleceu uma posição comprada no setor financeiro, em bancos grandes e médios, em função dos indicadores positivos de nossa análise fundamentalista. Adicionalmente, o fundo montou uma carteira diversificada no setor imobiliário, considerando-se os bons fundamentos de preço e as perspectivas favoráveis relacionadas ao pacote imobiliário. Estas posições contribuíram com a maior parte dos ganhos do fundo no mês.

Ao longo do mês, a carteira do fundo BBM Valuation foi diversificada entre 77 ações (16 setores). O retorno foi de 8,33% contra 7,18% do Ibovespa, acumulando nos últimos 11 meses um ganho de 10,73% acima do índice.

O fundo BBM Equity Hedge 30 adotou uma estratégia similar à do fundo BBM Valuation, priorizando setores ligados ao mercado de consumo doméstico. O fundo montou dois spreads contra o índice, que acabaram por gerar os maiores retornos no mês: o primeiro a partir de uma cesta de empresas de varejo e o segundo contemplando uma cesta de empresas do setor imobiliário. Outros rendimentos para o fundo vieram de spreads intra-setoriais de empresas de eletricidade e siderurgia.

Ao longo do mês, o BBM Equity Hedge 30 apresentou uma baixa exposição ao risco através de uma carteira diversificada entre 129 ações, distribuídas em 18 setores. O retorno no mês foi de 1,63% contra 0,97% do CDI. O retorno acumulado nos últimos 11 meses foi de 13,55%, contra 11,72% do CDI.

 
 
 
 
 

O BBM Allocation apresentou uma variação de 1,66% no mês de março, equivalente a 171% do CDI. Todos os fundos contribuíram com retorno positivo, com destaque para os fundos da categoria Renda Variável.

Com relação à composição do portfolio, fizemos uma realocação marginal entre os fundos Macro e aumentamos a exposição na categoria Renda Variável. Com isso, a carteira está dividida em 10 fundos Macro (87,03%), 1 fundo Long Short (7,92%), 2 fundos de Renda Variável (4,61%) e 1 fundo Referenciado DI (0,44%).